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    December 04

    ENCONTROS DE STAMMTISCH – A polêmica do local

    Luiz Eduardo Caminha

    O nascedouro

    Foi assim, desde o início. Já no 2º. Encontro, o primeiro impasse. Os comerciantes da XV berraram: Encontro na 15 de Novembro só depois do dia 10. A desculpa era lógica, o comércio precisava faturar. Negociações de lado a lado e tudo resolvido. O 3º. Sábado ficaria bom para todos. Na época a “Comissão Organizadora” restringia-se a três pessoas, eu o Célio (Periquito) Kienolt e o Márcio Rodrigues. Veio a 3ª. e 4.a edição. Já tínhamos 72 grupos contra os 17 iniciais.

    O Santa entra na festa


    No 4º. Encontro, o Jornal de Santa Catarina e o grupo RBS entram na festa. Como? Simples! O Santa fazia 30 anos. A verba para a grande festa – já anunciada nos bastidores – foi cortada. Coube aos diretores do Santa, Álvaro Jehnig e Marcelo Scartazinni usarem a criatividade. Pela amizade que tínhamos resolveram nos chamar. Comparecemos eu e o Periquito. Prevaleceu o interesse da festa. Abrimos o Encontro para o Santa. Banners foram espalhados ao longo da XV, um local privilegiado, defronte a Praça Dr. Blumenau, foi providenciado para funcionários e convidados do jornal. Em troca, ganhamos matérias no Santa, Diário Catarinense e na Rede RBS. A festa já vinha num crescendo espantoso. Aos dois únicos divulgadores, que acreditaram em tudo muito antes dos Encontros - o Programa Stammtisch, que eu produzia e apresentava e a TV Galega -, já haviam se somado, no 1º. Encontro, as Rádios Menina FM e Nereu Ramos. Agora um grupo de peso aderia à festa. Era o “plus” que precisávamos. E, sinceramente, merecíamos. Era inconcebível que o principal agente de comunicação da cidade permanecesse fora da festa.

    A fumaça: novamente “os contra”

    Veio a 5ª. festa. Março de 2002 – 92 grupos. Maurício Kubrusly, do sistema Globo, filma para “o Fantástico”, graças a intervenção de Ana Blanco. A Eisenbahn, através do Programa Stammtisch, apresenta uma barraca de degustação de seu chope Pilsen e Dunkel, aqui chegados diretamente do Laboratório de Produção contratado pela futura Cervejaria, no Rio de Janeiro. O Mette passa a Coordenar a Comissão. Apareceu a fumaça. Novo impasse. Lojistas – bem poucos, é verdade – uma meia dúzia de descontentes, mais preocupados em ter de ficar em Blumenau e não poder pescar, decretam: Encontro na 15, nunca mais!Consulta-se CDL, mudam-se regras, a Comissão cede - aliás, a bem do Encontro e da cidade, ela sempre cedeu. Churrasco? Só com churrasqueira ecológica.

    Festa tem adesão da Prefeitura

    A Prefeitura entra na festa. Pontos de água são espalhados ao longo da 15, num gratificante e competente trabalho de nosso saudoso e inesquecível Günther Buhr à frente do SAMAE. O Seterb coordena o trânsito com uma competência inigualável. Proeb, Gabinete do Prefeito, Planejamento, Secretaria de Turismo, todo o governo entra de cabeça. Eu e o Mette - a estas alturas tocando a festa com a saída do Periquito – parecíamos ser do “staff” do governo municipal, tamanho era o apoio. Tinham outra visão? Não sei! Mas nunca se utilizaram politicamente da festa e a encaravam-na como um potencial turístico da cidade. Um pouco diferente do que pensam alguns agentes políticos do Governo atual.

    A vez da Rede-SC/SBT e imprensa internacional

    8º. Encontro, 20 de Setembro de 2006, agrega-se o Centro Histórico. Mais uma rede importante incorpora-se à festa. A Rede-SC/SBT “bota seu bloco na rua” e transmite direto da XV. Mas também é a vez da imprensa internacional vir conhecer, de perto, o fenômeno. Uma equipe da Deutsche Welle e um fotógrafo de um magazine alemão comparecem e ficam extasiados com a festa. “Não percam nunca este charme. A principal Rua da cidade servindo de palco para que a comunidade venha celebrar a vida, a amizade. Em lugar nenhum do mundo e nem na nossa Alemanha temos isto”. Era a opinião que ficava dos ilustres visitantes da pátria mãe.

    O vertiginoso crescimento

    22 de Março de 2003 - 9º. Encontro de Stammtisch. Dos 17 grupos iniciais, 275 Stammtische comparecem à Rua 15 de Novembro. São 7,5 mil integrantes e um público de 27 mil pessoas que tomam conta da mais charmosa rua de Blumenau – um Record! Em todos os sentidos. Em dois anos e meio é a festa que mais cresceu em todo o Brasil. As calçadas da XV quase não suportam tanta gente. Os Encontros, enquanto festas de rua (Strassenfeste) estavam definitivamente consolidados e incorporados à cultura e a tradição de Blumenau e de todo o Estado. Algumas cidades já o copiavam. Hoje são 43 municípios.

    E agora? Os “contras” de novo

    E daí... No momento em que começamos a pensar alternativas para tornar o Encontro de Stammtisch num atrativo turístico, algo que pudesse trazer para cá turistas do Brasil e do mundo, lá vêem, de novo, aquela meia dúzia de medíocres, contestar a presença da festa em seu local de origem. Escondidos sob o manto genérico de “comerciantes da XV”, gente que, na verdade, parece detestar esta cidade e aqui se implantou para faturar, esta meia dúzia, que forma o pelotão dos contra, motivados por parte da imprensa que também não tem compromisso com Blumenau, começa a palpitar pelo fim da festa na 15.

    Os contras vencem

    A festa deverá ir mesmo para as cercanias da Vila Germânica, na rua Alberto Stein. Cansados de ouvir esta minoria ridícula dos contra, que aqui, paradoxalmente, se impõem ao grupo que é a favor, a Comissão Organizadora praticamente já se decidiu por uma experiência naqueles arredores. Tomara que dê certo! Que a festa se torne um atrativo turístico. Tomara mesmo! Que Deus me ouça! Que os grupos, os Stammtische, nos apóiem nesta iniciativa, eles que são a razão de ser da festa e por quem fazemos questão de continuar trabalhando, apesar dos medíocres. Nem que seja para dizer: “agora é tarde”!, quando os “comerciantes da XV”, arrependidos, vierem pedir para a festa voltar ao seu berço – sim, porque, anotem aí – eles virão pedir! Inclusive aqueles contra para quem não faltará hipocrisia para afirmar: Nós? Nunca fomos contra! O que queríamos era ajudar!

    P.S. Algum psiquiatra ou sociólogo pode me explicar porque aqui, em Blumenau, se dá tanto ouvido aos contra?

    Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro" (Mateus 6,24)

    Amor, Paz e Bem, que não custa nada a ninguém!

    Luiz Eduardo Caminha


     

    December 01

    COLUNA DO CAMINHA

     

     COLUNA DO CAMINHA 29.11.2006

     

    Agressão

     Blumenau, no passado, sempre se notabilizou pela defesa da natureza. Um dos municípios brasileiros com a maior área de cobertura verde por habitante, Blumenau foi o primeiro município do interior do país a possuir um órgão da administração municipal ligado às questões ambientais. A par disso, também fomos vanguardas em ONGs de defesa do meio-ambiente. Isto parece passado. Na Rua República Argentina, uma das entradas da cidade, proximidades da Ponte dos Arcos, dois movimentos de terra atentam contra a natureza. A sensação que se tem, com a derrubada por terra de dois morros, é de que querem estender a planície costeira até a prainha. Ou não? Informações, ainda não checadas, dizem que outras “autorizações” deste tipo estão ocorrendo em vários pontos do município. E, parece, o silêncio engoliu a conivência. Onde estão nossas vozes de defesa da natureza? Socorro Lauro Bacca! Arnon Tonolli! Jorge Müller! ACAPRENA! SARITA! Não deixem as praias do litoral servirem de mote para aqueles que, destruindo nossa flora, querem estar mais próximos do mar!

    Hora da Cobrança

    Durante a campanha de 2004, o candidato a Vice-Prefeito Édson Brunsfeldt dizia que fariam uma devassa na Prefeitura para “apurar fraudes da administração anterior”. Já se passaram mais de dois anos e nada. Ou era denúncia sem fundamento ou alguma coisa esdrúxula provocou este silêncio. Com a palavra o Vice- Prefeito.

    Só se não quiser

    As fichas estão, de novo, na mesa do competente e dinâmico Presidente Estadual do PSDB, Dalírio Beber. Só não é Secretário de Administração do governo Luiz Henrique se não quiser. Nos últimos governos todos os Secretários de Administração se elegeram Deputado Estadual. Tanto para a cidade, mas muito mais porque merece, Dalírio teria uma recompensa por seu trabalho à frente dos tucanos.

     Na moita

     Por enquanto Dalírio continua na moita. Articula, com desenvoltura, junto ao Governador e Vice eleitos, o espaço do PSDB no novo governo. Se não quiser a Administração, Dalírio é um dos poucos privilegiados que pode escolher, “en petit comité”, um cargo a seu molde. É homem de confiança do Governo, mas ainda prefere os bastidores. Até quando, não sei!

     Espaço

     Outro com prestígio, mas da ala Pinho Moreira, é o peemedebista Eduardo Sitônio. Não pensem, entretanto, que este prestígio é maior que o de Renato Vianna. O ex-Prefeito goza da amizade e do respeito do Governador. Está alguns níveis acima de Sitônio na escala de valores das forças do PMDB de Blumenau, e é suplente da Câmara Federal. Em política, quem tem mais votos manda mais. Quem os tem e ainda goza do convívio pessoal do chefe, manda mais ainda. E quem não tem votos, consola-se com a música que a banda toca.

     Filas

     O desrespeito à lei que determina aos bancos um tempo mínimo de atendimento aos clientes pode estar com os dias contados. A Câmara analisa projeto do vereador Rufinus Seibt (PMDB) que prevê o incremento no valor das multas de 28 para 484 UFM´s (Unidades Fiscais do Município) por infração comprovada, a ser aplicada em dobro até a quarta reincidência. Convertida, a multa se aproxima dos R$ 30.000,00 reais. 

     DPVAT

     Se você foi vítima de qualquer tipo de acidente de trânsito saiba que pode ter uma boa graninha para receber. O seguro DPVAT, incidente em todos os veículos a motor no Brasil, cobre despesas médicas até R$ 2,6 mil e paga indenizações até 13 mil. Confira seus direitos: ligue (47) 3041-0099.

     Encontro

     Deverá ir para a Rua Alberto Stein, na Vila Germânica, a XV edição do Encontro de Stammtisch em Março/2007. Pesquisa, de grupo em grupo e entre transeuntes, levada a efeito por Norberto Mette, é sintomática: 95% preferem o sábado e 90% topam uma experiência na Vila Germânica. Tudo batendo com a pesquisa do Site Stammtisch, Confrarias e Patotas http://www.stmt.com.br . Há que se considerar: 80% dos grupos e da população preferem a XV.

     Cansados

     Cansados de ouvir meia dúzia de “contras” - aqui mandam mais que os “a favor” - a Comissão Organizadora está inclinada a fazer esta experiência. Farão de tudo para que, lá, a festa supere a da 15. Se der certo, prometem: nunca mais voltam para a 15, mesmo que seus comerciantes venham pedir de joelhos.

     Casas Bahia

     Um Stammtisch tradicional, com acordeão e músicas alemãs foi surpreendido pela Casas Bahia, na rua 15. Pediram para diminuir o barulho do som mecânico, com rock e pagodes, das caixas de som de seus aparelhos em exposição, colocados estrategicamente em direção ao grupo. O som foi aumentado. O grupo ficou indignado. Juram: na Casas Bahia não compram nunca mais. É o troco!

     Troco

     Ouvi de muitos membros de Stammtische, indignados com alguns comerciantes da Rua 15 contrários à festa naquele local: “A maioria dos recursos da reurbanização da 15 veio de nossos impostos, a 15 é de todos e não só dos comerciantes”. Mais uma: “Lá em casa, ninguém mais vai comprar no comércio da 15”. Se a moda pega! Vá lá! São uns beberrões, como os “contra” dizem! Mas compram!

     No pódium

     O CD da dupla Rufinus Seibt e Ingo Penz que, com outros 5 componentes, formam o Grupo “Revivendo Tradições”. Munidos de instrumentos produzidos em Blumenau desde os tempos de colônia (exceção do Bandoneón do Rufinus e do Atabaque) escolheram “a dedo” 17 músicas, muitas delas entoadas pelos primeiros imigrantes. São os cantos (as “leader”), as tradições que vêm na fieira aberta pelos stammtische.

     Na guilhotina

     Os comerciantes da XV contrários à festa. Não enxergam um palmo adiante do nariz.

     Resgate Histórico

     

     Blumenau, década de 50 Rodoviária Antiga (Foto tirada do Morro onde hoje está o Parque São Francisco)

     

    Colaboração: Alfredo Benthien