Luiz Eduardo Caminha
O nascedouro
Foi assim, desde o início. Já no 2º. Encontro, o primeiro impasse. Os comerciantes da XV berraram: Encontro na 15 de Novembro só depois do dia 10. A desculpa era lógica, o comércio precisava faturar. Negociações de lado a lado e tudo resolvido. O 3º. Sábado ficaria bom para todos. Na época a “Comissão Organizadora” restringia-se a três pessoas, eu o Célio (Periquito) Kienolt e o Márcio Rodrigues. Veio a 3ª. e 4.a edição. Já tínhamos 72 grupos contra os 17 iniciais.
O Santa entra na festa
No 4º. Encontro, o Jornal de Santa Catarina e o grupo RBS entram na festa. Como? Simples! O Santa fazia 30 anos. A verba para a grande festa – já anunciada nos bastidores – foi cortada. Coube aos diretores do Santa, Álvaro Jehnig e Marcelo Scartazinni usarem a criatividade. Pela amizade que tínhamos resolveram nos chamar. Comparecemos eu e o Periquito. Prevaleceu o interesse da festa. Abrimos o Encontro para o Santa. Banners foram espalhados ao longo da XV, um local privilegiado, defronte a Praça Dr. Blumenau, foi providenciado para funcionários e convidados do jornal. Em troca, ganhamos matérias no Santa, Diário Catarinense e na Rede RBS. A festa já vinha num crescendo espantoso. Aos dois únicos divulgadores, que acreditaram em tudo muito antes dos Encontros - o Programa Stammtisch, que eu produzia e apresentava e a TV Galega -, já haviam se somado, no 1º. Encontro, as Rádios Menina FM e Nereu Ramos. Agora um grupo de peso aderia à festa. Era o “plus” que precisávamos. E, sinceramente, merecíamos. Era inconcebível que o principal agente de comunicação da cidade permanecesse fora da festa.
A fumaça: novamente “os contra”
Veio a 5ª. festa. Março de 2002 – 92 grupos. Maurício Kubrusly, do sistema Globo, filma para “o Fantástico”, graças a intervenção de Ana Blanco. A Eisenbahn, através do Programa Stammtisch, apresenta uma barraca de degustação de seu chope Pilsen e Dunkel, aqui chegados diretamente do Laboratório de Produção contratado pela futura Cervejaria, no Rio de Janeiro. O Mette passa a Coordenar a Comissão. Apareceu a fumaça. Novo impasse. Lojistas – bem poucos, é verdade – uma meia dúzia de descontentes, mais preocupados em ter de ficar em Blumenau e não poder pescar, decretam: Encontro na 15, nunca mais!Consulta-se CDL, mudam-se regras, a Comissão cede - aliás, a bem do Encontro e da cidade, ela sempre cedeu. Churrasco? Só com churrasqueira ecológica.
Festa tem adesão da Prefeitura
A Prefeitura entra na festa. Pontos de água são espalhados ao longo da 15, num gratificante e competente trabalho de nosso saudoso e inesquecível Günther Buhr à frente do SAMAE. O Seterb coordena o trânsito com uma competência inigualável. Proeb, Gabinete do Prefeito, Planejamento, Secretaria de Turismo, todo o governo entra de cabeça. Eu e o Mette - a estas alturas tocando a festa com a saída do Periquito – parecíamos ser do “staff” do governo municipal, tamanho era o apoio. Tinham outra visão? Não sei! Mas nunca se utilizaram politicamente da festa e a encaravam-na como um potencial turístico da cidade. Um pouco diferente do que pensam alguns agentes políticos do Governo atual.
A vez da Rede-SC/SBT e imprensa internacional
8º. Encontro, 20 de Setembro de 2006, agrega-se o Centro Histórico. Mais uma rede importante incorpora-se à festa. A Rede-SC/SBT “bota seu bloco na rua” e transmite direto da XV. Mas também é a vez da imprensa internacional vir conhecer, de perto, o fenômeno. Uma equipe da Deutsche Welle e um fotógrafo de um magazine alemão comparecem e ficam extasiados com a festa. “Não percam nunca este charme. A principal Rua da cidade servindo de palco para que a comunidade venha celebrar a vida, a amizade. Em lugar nenhum do mundo e nem na nossa Alemanha temos isto”. Era a opinião que ficava dos ilustres visitantes da pátria mãe.
O vertiginoso crescimento
22 de Março de 2003 - 9º. Encontro de Stammtisch. Dos 17 grupos iniciais, 275 Stammtische comparecem à Rua 15 de Novembro. São 7,5 mil integrantes e um público de 27 mil pessoas que tomam conta da mais charmosa rua de Blumenau – um Record! Em todos os sentidos. Em dois anos e meio é a festa que mais cresceu em todo o Brasil. As calçadas da XV quase não suportam tanta gente. Os Encontros, enquanto festas de rua (Strassenfeste) estavam definitivamente consolidados e incorporados à cultura e a tradição de Blumenau e de todo o Estado. Algumas cidades já o copiavam. Hoje são 43 municípios.
E agora? Os “contras” de novo
E daí... No momento em que começamos a pensar alternativas para tornar o Encontro de Stammtisch num atrativo turístico, algo que pudesse trazer para cá turistas do Brasil e do mundo, lá vêem, de novo, aquela meia dúzia de medíocres, contestar a presença da festa em seu local de origem. Escondidos sob o manto genérico de “comerciantes da XV”, gente que, na verdade, parece detestar esta cidade e aqui se implantou para faturar, esta meia dúzia, que forma o pelotão dos contra, motivados por parte da imprensa que também não tem compromisso com Blumenau, começa a palpitar pelo fim da festa na 15.
Os contras vencem
A festa deverá ir mesmo para as cercanias da Vila Germânica, na rua Alberto Stein. Cansados de ouvir esta minoria ridícula dos contra, que aqui, paradoxalmente, se impõem ao grupo que é a favor, a Comissão Organizadora praticamente já se decidiu por uma experiência naqueles arredores. Tomara que dê certo! Que a festa se torne um atrativo turístico. Tomara mesmo! Que Deus me ouça! Que os grupos, os Stammtische, nos apóiem nesta iniciativa, eles que são a razão de ser da festa e por quem fazemos questão de continuar trabalhando, apesar dos medíocres. Nem que seja para dizer: “agora é tarde”!, quando os “comerciantes da XV”, arrependidos, vierem pedir para a festa voltar ao seu berço – sim, porque, anotem aí – eles virão pedir! Inclusive aqueles contra para quem não faltará hipocrisia para afirmar: Nós? Nunca fomos contra! O que queríamos era ajudar!
P.S. Algum psiquiatra ou sociólogo pode me explicar porque aqui, em Blumenau, se dá tanto ouvido aos contra?
Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro" (Mateus 6,24)
Amor, Paz e Bem, que não custa nada a ninguém!
Luiz Eduardo Caminha